Desde o início da discussão sobre a padronização do tamanho das roupas – o que remete ao ano de 1968, quando a ISO (International Organization for Standardization) fez a primeira abordagem sobre o assunto na Suécia – muitos países ainda lutam por um consenso no padrão de medidas. Nesta situação, também se encontra o Brasil.
Aqui, os trabalhos nesta área foram inaugurados pelo Comitê Brasileiro de Têxteis da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e posteriormente assumidos pela Abravest – Associação Brasileira da Indústria do Vestuário, por meio de seu Departamento de Tecnologia, que tomou a dianteira após convite formal do DNPDC – Departamento Nacional de Proteção e Defesa do Consumidor.
Para estabelecer seus alicerces, o projeto, que em seguida tornou-se a norma NBR 13377, fundamentou-se na opinião de entidades de vários segmentos de moda, empresas de comércio relacionadas ao ramo, técnicos industriais e consumidores finais.
Os estudos levaram três anos para serem concluídos e resultaram na aprovação da NBR 13377 de medidas do corpo humano para vestuário, aceitas como padrões referenciais em maio de 1995.
Definições
A padronização refere-se a medidas do corpo e não da roupa propriamente dita, que pode variar de acordo com estilos e modelos. Portanto, trata-se essencialmente de um estudo antropométrico aplicado ao vestuário.
Levando-se em conta que as tendências de moda variam muito, inclusive alterando comprimentos e larguras, convencionou-se indicar apenas as medidas primárias. Entre elas, estão: contorno de pescoço; contorno de tórax ou busto; contorno da cintura; altura de corpo; e comprimento de pernas/entrepernas.

A indicação numérica ou alfabética adotada para designar o tamanho de corpo que se deseja vestir deverá constar na etiqueta de tamanho.
Para evitar qualquer interferência no trabalho de criação, aprovou-se o uso de uma medida referencial primária para cada modelo ou tipo de produto, importante para o fit desejado da peça pelo estilista. O intuito é garantir uma melhor adaptação do modelo ao corpo do consumidor.
Neste contexto, surge uma pertinente pergunta por parte das empresas fabricantes e/ou comerciais: sendo essas normas voluntárias e não regulamento técnico, haverá multa em caso de descumprimento?
Em virtude de a norma não ter força de lei, não haverá multa pelo INMETRO. Porém, se o consumidor procurar o PROCON para queixar-se das medidas de uma roupa, considerando que as medidas sejam inferiores ou superiores ao tamanho indicado na etiqueta, o fornecedor será chamado à responsabilidade por práticas abusivas e por estar em desacordo com as normas vigentes (seção V- artigo 39 – inciso VIII do Código de Proteção e Defesa do Consumidor).
Fica claro, portanto, que havendo uma norma técnica para um produto, validada por um órgão oficial, mesmo não sendo regulamento técnico, é obrigatória a conformidade deste produto com os requisitos da norma.
Avaliação
Em tempos de comércio eletrônico alavancando vendas, consumidores bem informados e exigentes quanto a seus direitos, somados à força excepcional do compartilhamento de informações globalmente via web, um consumidor insatisfeito com a aquisição de seu produto, questionando a fidelidade à sua marca por sentir-se prejudicado na comparação de preços e qualidade, pode ser decisivo para o seu negócio e colocar a perder todo seu esforço de marketing (leia-se investimento) em um clique.
Assim sendo, cada vez mais empresas comerciais exigirão de seus fornecedores o cumprimento da norma NBR13377, incluindo, além do estilo do seu portfólio e qualidade, a conformidade com os padrões de medidas em suas aprovações e escolha de produtos.
Adicione a essa questão as mudanças climáticas, o cenário econômico mundial e as preocupações éticas quanto a rede de fornecimento– o empresário de moda enfrenta hoje um complexo ambiente que exige movimento rápido e dinâmico.
Do lado da oferta, o mercado de trabalho sofre o aperto da alta dos salários e a elevação dos preços das matérias-primas.Do lado da procura, os consumidores querem mudanças rápidas a cada temporada e esperam renovação constante durante o período regular da estação. Isso exige do varejista ótimo desempenho ao oferecer um fluxo de produtos com alto valor agregado em informação de tendências e qualidade.
O resultado? Uma matrizde fornecimento complexo, em que se procura obter o melhor de todos os mundos para maximizar a margem bruta, manter a flexibilidade e criar uma oferta diferenciada para o cliente.
O desafio? Criar uma cadeia de suprimentos ágil e de custo equilibrado sem comprometer a eficiência, a rapidez e a transparência em todo o processo de desenvolvimento e produção.
Não é incomum que se tenha hoje mais de vinte caminhos críticos em execução simultânea, em uma tentativa de atender a uma mistura de estações, gamas de produtos e ciclos de vida de novos desenvolvimentos, comumente gerenciados em planilhas arcaicas e ineficientes, que são concebidas isoladamente em cada departamento.
A solução da equação
Para estabelecer uma conexão efetiva na cadeia produtiva, tornou-se vital introduzir um novo conceito de gestão, que permita criar, compartilhar e interagir numa colaboração mútua entre parceiros. O PLM (Product Lifecycle Management) otimiza esse processo e se revela como a ferramenta que vem alavancando o processo de renovação na indústria da moda, globalmente utilizada pelos melhores players do mercado.

O consenso geral afirma que o PLM é o sistema que garante uma versão única da verdade na definição de um produto: o visual, as cores, os materiais, os detalhes, as especificações de medidas e de construção que irão proporcionar o resultado esperado, mantendo-se fiel ao projeto de design e em conformidade com os padrões estabelecidos.
Envolver o time de design e compras com fornecedores estratégicos desde o primeiro estágio do processo de desenvolvimento assegura que as amostras encontrem um maior acerto com as intenções comerciais e de estilo, e que possam ser produzidas ao custo e volume corretos e no menor espaço de tempo. É o Speed-to-Market acelerando oportunidades de negócio.
Evangelina Cardozo é consultora de PLM na Millennium Network (SP), formada em Estilismo na ESMOD e Administração de Empresas na FGV